quinta-feira, 27 de março de 2014

save the planet, kill yourself

A nuvem carregada de nicotina faz cerrar os olhos, partem-me a vista, tenho de abrir uma janela. Percebo através de pequenos pormenores. As soluções bailam à minha frente por entre as linhas de fumo que fogem com o vento. Monto essas coisas insignificantes. Vislumbra-se um cartaz quase perdido no ar que diz: "Aqui não se limpa, portanto não suje".
São apenas umas letras negras sob fundo branco. Não importa, não deixa de ser um aviso devido que se deva cumprir. Mas mesmo acarretando a ordem, está na tua natureza humana contornar. Então passam-te uma advertência. Voltas a infringir. Gritam-te na cara "não faças isso!" e não respondes. Tu sabes tudo, não tarda nada, voltamos ao mesmo.
Talvez devas fazer um esforço, procurar ajuda. Não interessa. Não sujes... Mas até o teu respirar polui, ou seja, até nas nossas horas de purificação produzes lixo.
Senta-te na cama sem amarrotar os lençóis. Come um pouco, tens fome de mimo e cuidado com as migalhas. Já te vi nua a alma, queria apanhar-lhe a roupa do chão. Vejo através dela um desassossego sem fim disfarçado por uma calma sombria. Parece que estás em constante processamento. Não adianta ser ávido sem espaço na cabeça para te organizares. Devias contratar uma equipa de limpeza pessoal.
Agora dorme e não tenhas pesadelos senão suas na almofada. Dorme sobre o assunto, eu acordo-te quando for de manhã.

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