A Tragédia é um estilo bem conhecido da literatura europeia. Tem raízes greco-latinas, há milhares de anos que acompanha as melhores narrativas e, hoje, são o centro de muitas formas de vida.
À medida que fui estudando a Tragédia, como a máxima do teatro clássico, dei por mim a identificar-me com a própria. Aqui tudo começa com um incidente, fazem-se batalhas gloriosas para ultrapassar as consequências. No fim o herói é aclamado e morre.
É um pouco como a vida, como se pode tornar óbvio. Não sabemos exactamente por onde vamos, até que alguma coisa nos atravessa o caminho, e temos de a combater. Para quê? Sermos agraciados, nem que seja por nós próprios, e quando tudo acaba, fecha-se a cortina. Talvez não definitivamente, mas de algum modo acabamos sempre por desaparecer. Seja das bocas do mundo, ou deste mesmo.
Figura adversa à ideia do “perfeito” e da “serenidade”. É um género que explora o cáracter perverso, sinuoso e labiríntico da condição humana. Inclina-se para o Destino e deixa-nos com vertigens ao mostrar-nos quão fragmentado é o nosso final. Opõem-se ao que é Dramático (narrativa sem fim conclusivo) e fecha-se sempre após o clímax. Bem ou mal, mas fecha-se.
Sobrevive da constante contradição: vive de uma certeza que sempre lhe desaparece e, incansável, promove impossibilidades que imagina eternas.
Um bocado como eu, talvez.
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