quinta-feira, 27 de março de 2014

Amigos secretos
Divididos por diferentes afectos
Mas iguais em todos os aspectos.
Ninguém pode notar
Que estamos à procura de um novo ar
Porque este nos afecta.
Não temos linhas rectas.
E há uma fome que nos erra
Por não podermos gritar
Que somos os dois deuses perdidos na Terra.
Entrou e não havia mais nada no mundo
Entrou e deitou-se num silêncio profundo
Que por não dizer nada, me dizia tudo.
E às vezes piscava-me os olhos em concordância
Como asneiras que fazia em criança
Que transformavam a mãe fera.
Não é o silêncio que enforca,
Nem talvez seja o mais certo
Mas mais vale o silêncio da palavra dita e sincera
Do que o toque do mais falso afecto.

essence sex

Shouldn't be alive
with all allucinations and allocations taking me on a tide,
Following of events, or so... mistakes and shit emends.

Poor of my looney soul
Lime my sides and blow what you think is wrong
But there's still some ashes in my bong
And it's such a waiste of fun.

Keep your anesthesia, keep what you need,
Never thought of i'd to pull up the sleeves
To get out of the amnesia
and remember where we once kissed.

But this makes me cry
shouldn't be this hard to go back to your side.
Looks like it's so more complicated than that
climbing from toys to essence sex.

Too fast.

But this actually makes me cry
shouldn't be this harsh to let you promply go by
looks like it's full moon, i let you know that
my love for you still lasts... 

Well...
Too soon.

freddy's house

O que é para ti uma casa? Os braços de quem amas ou o lugar onde te escondes dos dedos dos teus demónios? É a estrada que tens à frente ou a cadeira onde te sentas no final da viagem? É a tenda de um circo itenerante, um navio naufragado ou o farol levantado em terra firme? É o sítio onde vives ou a última morada para o envelhecer dos ossos? Um bocado de terra santificada ou as pedras que fazem o chão de uma revolução profana?
Será uma rua sem nome, as paredes de um quarto ou a gaveta de madeira onde se acumularam pedaços de memória? É um desejo, um objecto perdido ou é essa coisa que bate dentro do teu peito? É um palco repleto de barulho e gente, um corredor silencioso ou é o som de uma caixa de música onde dançam dois bonecos? É a paisagem pintada na tela, o pó que cobre o teu soalho ou será o simples conforto de ter um corpo que não conhece dor? Por detrás e para além das paredes, portas e fechaduras, as histórias de uma multidão de palhaços, dançarinos e homens simples transformaram-se em canções sobre o desvanecimento, a morte, o sonho e o desejo. Quebraram-se paredes que não dobram, gritam-se palavras por gastar e roda-se o mundo para o Sol.
Para onde vão os que têm o orgulho ferido?
Ontem segui o rasto de sangue, mas não havia nada, apenas uma parede de tijolo esburacada, coberta de graffiti insultuoso e negra, de servir de cinzeiro para todas aquelas passas.
Agora que penso nisso, talvez aquela parede seja para onde vão mesmo. Talvez aquilo seja na realidade uma cidade que não se consegue ver, só para os tristes e rejeitados, arrogantes e demasiado aguçados. Os que misturam LSD e água-ardente. Aqueles que enquanto andam, pensam no que vão comer, mas quando já comem não se lembram por onde andaram.
Junto à parede havia poças feitas por eles, lágrimas de raiva, deseperando os seus entraves. Cada gota que caía era como um sonho que se quebra na realidade. Puro e duro.
Um animal em ferimento tem um coração estrondoso e energia descomunal. A cada batimento ecoam terramotos, mas isso não chega para o levantar do chão molhado. Em vez disso mantem as mãos nos bolsos à espera que os rasgos curem, os hematomas desapareçam e a dor encontre um brinquedo novo. Que finalmente apareça uma mão divina que o erga.
Se calhar, se fixarem a parede tempo suficiente, aprendam a ignorar a sua condição humana, se apercebam do que não vem e deixem de sofrer por si sós. Quem sabe? Esperemos para ver.

Homem das Feridas

O ar sai pesado de narinas quase entupidas. Não se detecta qualquer cheiro.
Sinto à minha volta uma aragem fresca que anuncia o vazio em que me encontro, não tenho outro remédio do que me enroscar sobre as pernas para me aquecer.
Nem um pio. O vento que passa tem pés de lã, e se não fosse tão desastrado... talvez nem desse por ele.
Os olhos estão turvos, turvos, turvos, tão turvos que quase acho que os ceguei. Talvez com orgulhos e manhas.
Não existe luzes ao fundo do túnel. Existe o silêncio cortante interrompido apenas pelo raspar insistente da língua na pele. Sou o Homem das Feridas, lambo-as para saber que ainda existo.

locomoção

Esta insistência maltida, que nao dobra, pica, 
que não me deixa dormir, nem beber, nem fumar, nem acalmar.
Quero afogá-la num alcool contínuo, 
num fumo passivo, 
em noites intermináveis, 
de brisas afáveis e risos maquiavélicos.
farta de comidas sem sabor, 
emoção em comoção,
locomotivas astrais em acção e todas essas tretas,
secas,  deslavadas, cravadas na minha pele
amargas que nem fel.
Preciso de um novo ar, 
com cheiro a rosas e vinho tinto, 
falo sério, não brinco, 
quando digo que basta.